# Direção por blocos

O corte diz **o que a pessoa fala**. O plano em blocos diz **o que ela mostra enquanto fala**. Sem plano, a
edição vira uma pilha de enfeites. Com plano, cada coisa na tela tem motivo, hora para entrar e sair, e um fio
que leva o olho de uma cena para a próxima.

## Entrada

- O corte aprovado e a transcrição dele (os tempos das palavras vêm da transcrição do `cut.mp4`;
  `python3 build.py palavras` no projeto mostra tudo).
- A posição do rosto (`face_layout.json`).
- O briefing do vídeo (`fichas/briefing-do-video.md`): formato, destino, mensagem, oferta de verdade,
  materiais, o que é proibido, até onde vai a autorização.
- Se houver: a referência medida e a tabela de transferência (`references/referencia-aplicar.md`), e a triagem dos
  materiais (`references/revisao.md`, "Triagem dos materiais").

## Como dividir

1. Assista e ouça antes de desenhar. Leia a fala inteira com os tempos reais. Hesitação que carrega intenção fica.
   Anote o gancho (o que prende nos primeiros 3 s), o miolo (as ideias) e o fechamento (o que a pessoa deve fazer).
2. Corte em blocos por **ideia**, não por tempo. Um bloco termina quando a ideia muda: começa uma lista, entra um
   número, aparece uma prova, muda de assunto, vem a chamada.
3. Tamanho que funciona: em anúncio e Reels, uma troca visual a cada 2 a 4 s. Em aula e VSL, a cada 4 a 8 s.
   Bloco longo demais ganha um punch-in (zoom rápido no rosto) na palavra de ênfase.
4. Dê um nome curto a cada bloco (b01_gancho, b02_problema, b03_prova...). Esse nome vai ser o nome da cena.

## Quatro respostas para cada bloco

Antes de escolher peça ou enquadramento, escreva para cada bloco:

1. **A conclusão.** O que quem assiste deve entender ao fim dele, numa frase.
2. **O olho.** O que ele segue ali: a pessoa, um objeto, uma ação, uma prova ou uma palavra.
3. **A mudança.** A mudança visível que acompanha a ideia, quando ela pede uma. Muitas vezes não pede.
4. **O que continua.** O fio que liga este bloco ao próximo: a voz, um objeto que segue na tela, o enquadramento,
   uma posição na tela, uma cor.

Inserção sem função clara não entra: fica a imagem original. Mudar a tela toda hora não é objetivo.

## Ponto de partida pela intenção da fala

| a fala é | comece por | por quê |
|---|---|---|
| opinião ou relato | a pessoa com folga, câmera firme | quem convence é ela |
| procedimento | o objeto ou a tela grande, uma ação por etapa | o detalhe precisa de área |
| comparação | os dois lados com o mesmo enquadramento e a mesma escala | senão a comparação engana |
| revelação de resultado | o resultado real como protagonista, parado o tempo de ser olhado | a prova é o resultado, não o texto sobre ele |
| ligação entre duas ideias | o mesmo elemento se transformando, ou uma transição com continuidade | o olho segue o fio |

Se a pessoa pediu outra direção e ela é possível, a dela vence.

## Que peça para cada tipo de fala

Quando a pessoa não disse o que quer ver, a fala escolhe. Escreva a peça no `projeto.json` sem perguntar:

| a fala tem | a peça | onde está |
|---|---|---|
| um número ("três formatos", "R$ 97", "em 27 minutos") | `contador` | `references/animacao-catalogo.md` |
| uma lista ("sem custo, sem prazo, sem fila") | `lista_check` | idem |
| passos ("primeiro... depois... por fim") | `passo_a_passo` | idem |
| comparação ("antes era... agora...") | `antes e depois` (bloco `comparar` ou cena do kit 2D) | `references/enquadramento.md` |
| o pedido que a pessoa faz a uma IA ("edita esse vídeo pra mim", "corta os erros") | `k2d_comando`: a barra digita o pedido na fala | `references/animacao.md`, "Kit 2D" |
| um custo, risco, nível ou nota que sobe e desce ("custo mínimo", "risco alto") | `k2d_medidor`: a agulha vai para o valor dito | idem |
| uma busca e a chamada ("pesquisa isso", "digita isso", "comenta a palavra") | `k2d_busca`: a barra digita o termo, o resultado entra e o selo da chamada entra na palavra dita | idem |
| uma lista de pontos que vão sendo concluídos ("primeiro isso, depois aquilo, pronto") | `k2d_notas`: cada item é escrito na palavra e a bolinha vira check quando a pessoa conclui | idem |
| prova (tela, resultado, depoimento que existe nos arquivos) | bloco `prova` | `references/enquadramento.md` |
| uma frase que resume ("o vídeo inteiro foi feito por IA") | `lettering` com a palavra forte em destaque | `references/lettering.md` |
| a chamada para agir (só se a pessoa disse uma) | `cartao_final` | `modelo-projeto/LEIA.md` |
| só relato ou opinião, sem nada disso | câmera viva (`helpers/camera_viva.py`) e uma `lettering` nas 2 ou 3 frases que mais pesam | esta página |

Nada disso se inventa: número, prova e chamada só entram se existirem na fala ou nos arquivos.

## Ritmo

- **Alguma coisa muda na tela a cada 2 a 4 s**: troca de enquadramento, aproximação no rosto, peça nova ou cena nova.
  A câmera viva cuida do piso; o seu trabalho é pôr a peça certa nos trechos em que ela avisa "acima de 4 s".
- **A pessoa fica na tela.** O padrão é a pessoa em tela cheia e a peça pequena por cima, acima da cabeça: cena do
  kit com `area: "acima_do_rosto"` (`k2d_medidor`, `k2d_comando`, `k2d_busca`, `k2d_notas`) e `"sobre_a_pessoa": true` no `cenas_proprias`,
  para a câmera viva não aproximar naquele trecho (`references/animacao.md`, "Por cima da pessoa"), ou lettering e
  rótulo do catálogo. Tela cheia só de cena, sem a pessoa, é para esquema grande, antes e depois ou um respiro,
  e no máximo uma a cada 15 a 20 s. Moldura (a pessoa pequena embaixo) é para lista e passo a passo.
- **Uma ideia por vez.** Se duas peças disputam o olho, a mais fraca sai.
- **Fim parado** de 1 s ou mais (`segura_fim`) quando a última peça é um resultado que precisa ser lido.

## O que cada bloco pode mostrar

| Quando a fala... | Mostre | Observação |
|---|---|---|
| Abre o vídeo (gancho) | Rosto grande + texto forte em cima (gancho ou lettering) | Nos 3 primeiros segundos já tem que ter algo escrito |
| Afirma algo que dá pra provar | **Prova em tela cheia**: a tela do app, o print, o produto, com um rótulo curto | A pessoa sai de cena ou vira moldura pequena |
| Explica e a pessoa continua importante | **Moldura**: pessoa num quadro menor, material do lado ou em cima | Sempre do mesmo lado no vídeo inteiro |
| Enumera ("primeiro, depois...", "três coisas") | Lista que vai marcando item a item | Cada item entra na palavra |
| Descreve etapas ou uma causa | O mesmo objeto mudando de estado, ou um diagrama que cresce | `references/animacao.md` |
| Fala um número | Número que conta até o valor falado | Só número que foi falado |
| Mostra "antes" e "depois" de um processo | Duas telas lado a lado ou uma virando a outra | Comparação justa, só com os dois lados reais (`references/revisao.md`) |
| Diz uma frase de impacto | Lettering (a frase escrita) e a legenda some | No máximo 2 ou 3 por minuto. `references/lettering.md` |
| Dá peso a uma palavra, lançamento, autoridade | Composição em planos: palavra em parte atrás do corpo | Só com o teste de recorte aprovado. `references/enquadramento.md` |
| Fala de um lugar, cenário ou "de qualquer lugar" | Tela verde: a pessoa recortada na frente de outra imagem | Pede fundo razoável e custa mais tempo |
| Cita um produto ou app | Logo ou tela do produto (se a pessoa tem direito de usar) | Pode ficar presa à mão se ela gesticula |
| Fecha com a chamada | Cartão final com a ação (comentar, tocar em Saiba Mais, chamar no WhatsApp) | O texto do cartão repete a palavra falada e fica legível antes de sair |
| Não pede nada | Só a pessoa, com um punch-in na ênfase | Descanso visual também é decisão |

## Quem ocupa a tela

- A pessoa fica com a tela inteira quando o rosto, a segurança dela ou um gesto do corpo são a mensagem.
- A demonstração fica com a tela inteira quando o detalhe precisa de área.
- A tela se divide quando a pessoa e a explicação precisam ser vistas juntas.
- Nunca a pessoa num canto por padrão.
- Quando a tela, o produto ou o resultado é o protagonista, dê a ele área para o conteúdo se ler. Um painel miúdo
  que ninguém lê não prova nada.
- Mostre um processo pelo que muda e pelo que se faz, não por uma fila de cartões.
- Para chamar o olho, use uma coisa por vez: tamanho, posição, luz ou movimento.
- Enquanto a ação principal acontece, o resto fica quieto, e o que já foi explicado fica mais discreto.

## Transições em cadeia

Numa explicação, cada etapa nasce da anterior. O olho não precisa procurar a coisa nova, porque ela sai da que já
estava lá.

Exemplo (com gravação de tela real): o arquivo do vídeo aparece; ele se abre na linha do tempo; os trechos de
silêncio saem da linha do tempo um a um; a linha do tempo encolhe e vira o vídeo pronto tocando.

- Um "pronto!" escrito não vale como mostrar a coisa pronta. Se não existe gravação do resultado, não
  invente: mostre o que existe e diga o que faltou.
- Na passagem da tela cheia para a moldura, o rosto não dá salto de posição. A moldura para de se mexer antes de
  outra coisa importante começar.
- Se a transformação não acrescenta sentido, use corte seco. Transição decorativa não entra.

## Resultado que dá para olhar

Quando a fala revela um resultado (o pedido chegando, o vídeo editado, o produto pronto), ele fica grande e
parado o tempo de ser inspecionado antes da próxima troca: pelo menos 1,5 s depois de completo, mais se tiver
texto para ler. Só resultado real, dos arquivos da pessoa. Nada de tela de sucesso, clique ou reação desenhados.

## Continuidade

- Mesma fonte, mesmas cores e mesmo lado da moldura do começo ao fim.
- Objeto que muda de estado não muda de cara nem de lugar.
- Cada elemento sai antes do próximo bloco começar. Nada fica "esquecido" na tela.
- Ao sair de uma moldura ou de um zoom, tudo volta ao normal (sem ficar meio torto ou meio grande).
- Depois de cada inserção, a volta à pessoa tem o mesmo enquadramento de antes.
- Se a cena já escreve a fala, a legenda some naquele trecho.
- Nada aparece antes da palavra que chama (pode antecipar até 0,15 s).

## Limpar sem esvaziar

Quando tem muita coisa disputando a tela (pessoa, legenda, ícones, cartões, títulos):

1. Descubra quem carrega a ideia daquele instante e dê mais tamanho a ele.
2. O que pertence à fala seguinte espera a vez.
3. O que repete sai.
4. O contexto útil fica, mais discreto.
5. O espaço que sobrou não fica vazio: vai para o resultado, ou para mostrar de onde a coisa vem, o gesto e o que
   acontece depois.

## Auditoria de tempo das inserções

Quando imagens, cartões ou títulos chegam cedo ou tarde:

1. Para cada elemento, ache a frase que o justifica, no tempo da fala real do corte (nunca do roteiro).
2. A entrada prepara ou acompanha essa frase (até 0,15 s antes). Fica na tela o tempo de ser lido e sai quando
   já cumpriu o papel.
3. Dois elementos no mesmo momento: proponha uma ordem, com prioridade clara.
4. Elemento sem frase que o justifique vai para a lista do que sai. Não invente motivo.
5. Mostre uma tabela curta antes de mexer:

   | elemento | frase ligada | entra | sai | o que fazer |
   |---|---|---|---|---|
   | rótulo "App" | "esse aplicativo aqui" (00:14,2) | 00:13,1 → 00:14,1 | 00:16,0 | atrasar a entrada |
   | carimbo | nenhuma | 00:21,0 | 00:22,4 | tirar |

6. Mexa só no tempo (`em` e `sai` no `projeto.json`). Design, ordem da fala e cortes aprovados ficam. Mostre os
   trechos corrigidos no estúdio.

## Saída

Grave `STORYBOARD.md` na pasta do projeto, com o modelo de `fichas/plano-em-blocos.md`:

1. As regras do vídeo (formato, rosto, zona segura, fonte, cores, legenda, som, trilha).
2. A tabela dos blocos: nome, tempo (início e fim no corte), fala, conclusão, o que o olho segue, o que aparece,
   texto na tela, animação, som, o que continua, material.
3. A lista do que falta (prints, fotos, logos): peça numa mensagem só e siga com o que não depende disso.

Vídeo longo ou com muitas cenas próprias: use também a planilha de cenas (`fichas/planilha-de-cenas.csv`), uma
linha por cena, com a situação de cada uma.

Para a pessoa, mostre uma versão curta: uma linha por bloco, em palavras do dia a dia ("0:00 a 0:03, você falando
e o título grande em cima"). Se ela pediu para aprovar o plano, espere. Se já autorizou fazer tudo, conte e siga.

## A amostra

Escolha o trecho pela dificuldade, nunca só os primeiros segundos. Ele precisa ter a virada mais importante, um
raciocínio inteiro explicado e a volta à pessoa falando. Uns 8 s em edição simples, uns 15 s com motion. Diga
qual é e por quê em uma linha.

Monte no estúdio (`references/estudio.md`), sem render. Confira com `fichas/conferencia-da-amostra.md`, tocando.

- A pessoa pediu para aprovar antes: mostre e espere.
- Já autorizou fazer tudo: a amostra é teste interno. Confira pelos critérios e siga para o resto.
- Surgiu uma decisão que muda o resultado e não estava autorizada (a técnica não funciona, o formato teria de
  mudar, o recorte não aguenta): pare e pergunte.
- Nunca trate silêncio como aprovação. Nunca chame a sua conferência de "aprovado pela pessoa".

## Revisão tocando

1. Toque o trecho com som, no tamanho do celular.
2. Pare em cada momento em que a atenção passa de uma coisa para outra. Você sabe dizer o que o olho procura ali e
   por que isso combina com o que está sendo dito?
3. Um enfeite secundário roubando o olhar: primeiro mude a hora da entrada ou a intensidade dele. Só depois pense
   em acrescentar outra coisa.
4. Na demonstração alguma coisa está acontecendo, e o resultado fica parado tempo bastante para ser olhado.
5. Rosto, conteúdo e legenda não brigam por área.
6. Na chamada final, o texto aparece inteiro e fica o bastante para ser lido; a saída só começa depois.

## Quando a edição está confusa

Se a pessoa disser que ficou poluído, confuso ou "parece slide", faça primeiro o diagnóstico só de leitura de
`references/revisao.md` (até cinco prioridades, cada uma com uma saída: deixar, mover, encolher, atrasar ou
remover). Proponha remover antes de acrescentar e mostre a versão enxuta de um bloco como amostra.
